Me dá o tempo que preciso, O colo, o aconchego. Porque, no final das contas, O que me sobra é o medo, Das coisas não ditas, Dos precipícios evitados E toda essa história De só fazer o bem. Então, eu preciso de tempo Para assimilar tudo o que necessito Para saber realmente qual é o meu caminho E quais das coisas que deixei para trás Realmente me farão falta. Porque a vida não é simplesmente Um sim, Um não. Porque sempre há uma nuance, Um talvez. Algo que nos dá medo, Mas que pode ser divinamente prazeroso.
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"Quanto mais ando, querendo pessoas, parece que entro mais no sozinho do vago..." - foi o que pensei na ocasião. De pensar assim me desvalendo. Eu tinha culpa de tudo, na minha vida, e não sabia como não ter. Apertou em mim aquela tristeza, da pior de todas, que é a sem razão de motivo; que, quando notei que estava com dor-de-cabeça, e achei que por certo a tristeza vinha era daquilo, isso até me serviu de bom consolo. E eu nem sabia mais o montante que queria, nem aonde eu extenso ia." Grande Sertão:Veredas
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A praia deserta, Os não-problemas dos 13, A adrenalina antes da queda no abismo, Os 5 segundos antes do passo mal dado, O início do sonho, As noites bem dormidas, O não precisar de nada além de mim, Os "eu te amo" verdadeiros, A inocência adolescente, O cheiro de chuva, O medo no princípio. Não são muitas coisas que quero. Apenas o que não posso mais ter. Não mais, nunca mais.
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Nos acostumamos a tudo na vida. Algumas coisas passam a ter caráter anestésico. Simplesmente, deixamos de sentir, de ver, de pensar. E nos acostumamos a elas. As dores. As faltas. Aos excessos. Tudo passa a ser parte do que somos, do que queremos. Inclusive tudo aquilo que em algum momento -quando éramos jovens, rebeldes, inocentes - rejeitamos com todas as nossas forças. E nos acostumamos a essa invasão, a essa submissão, a não viver e simplesmente sobreviver.
(Im)provável
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Você pensa que eu não sei Que certas coisas para você serão eternas E que por mais que tente Sempre estarão na sua memória Você pensa que eu me importo Que eu tenha estado na chuva, Perdido as esperanças, Desejado a ilusão Você pensa que eu não sei Que de noite você relembra, Se pergunta, Imagina , Até que ponto tudo poderia mudar E que na manhã seguinte se convence Que tudo sempre terá uma nova chance Você pensa que eu me importo Que as coisas tenham sido assim Que nem tudo tenha seguido o rumo previsto E que eu tenha sofrido pelas mudanças Mas o que você não sabe É que as cartas sempre foram minhas E, as escolhas eu as fiz. E agora o que ficou vira história Da qual nem me lembro mais.
Filhos da puta
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Todo mundo tem um na vida. Se não tiver, não é algo vivo. Porque seja animal - racional ou irracional - sempre se tem um Filha da Puta querendo estragar a sua vida. Sempre tem alguém que acha que você tem que sofrer, que tem a vida muito boa e, caraleos, como alguém pode ter uma vida tão boa quanto a sua?! Isso é quase uma falha de caráter. Existem vários tipos de FDPs. Tem aqueles que são escraxados, todo mundo sabe a que vieram, não fazem questão nenhuma de esconder. "Sou assim mesmo e o que que tem? Tô pagando, porra." Pois é. Tem a filhaputice na alma e se orgulha disso. E sempre terminam as frases com um "pelo menos sou sincero". Além de boas intenções, o inferno está cheio de sinceridade. Tem os FDPs normais. Aqueles que, com certeza, eu já fui, você já foi, o mundo já foi. Porque é um gene que temos no nosso DNA. E nem posso dizer que é recessivo. Mas, tudo bem, ninguém é perfeito. E os FDPs normais se arrependem e podem até pedir desculpas. Mas acredito que ...
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De repente, deu-se conta dos erros. Dos deslizes. E que todos os seus piores medos haviam saltado para a vida real. E que não havia feito absolutamente nada para deter a avalanche. Pior: havia se sentado a beirada da estrada e fingido que tudo estava perfeitamente em ordem. Como se nada estivesse fora dos planos. Como se a bola de neve não se aproximasse. br > E ela sentia um ódio absurdo. Sentia que ele tomava conta de todo o seu corpo, o sentia correr pelas suas veias, como se ele realmente tivesse corpo, consistência. br > E não lhe fazia bem. Porque era a hora de olhar para o espelho e ver que não era a perfeitinha , que não adiantava a força do pensamento. As coisas não mudavam simplesmente com o "querer". Esquecera a parte da luta, a parte do correr atrás. br > E depois de 10 anos estava no mesmo ponto. Como se tivesse dormido por 10 anos e, enquanto isso, o mundo tivesse desabado a sua volta. E agora - só agora - ela acordasse. br > E sentia que não havi...
Ela está cansada.
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Cansada de tudo. Da vida, em geral. Porque, olhando de fora, analisando os fatos, a balança não está tão equilibrada. E eu queria, queria muito, pode dizer a ela que tudo vai passar, que as coisas vão se acalmar e que daqui a algum tempo vamos olhar para trás e vamos rir disso tudo. Mas eu não consigo. Simplesmente, não posso. Porque ela está cansada das críticas, do nunca ser boa o suficiente, de sempre ter alguém querendo o seu bem... E com essa querência, empurrando-a mais e mais para baixo, fingindo que "tudo bem, ela não liga, ela aguenta". Mas ela liga e começa a acreditar que não aguenta. E ela não quer mais. Não quer mais dizer que está tudo bem, não quer mais ter que suportar pessoas que começam as frases com "Eu acho". Elas acham tudo, sobre tudo. Só que as mesmas não vêem o que realmente ocorre, não sabem o que acontece no apagar das luzes. Não entendem dos medos e demônios que sempre rondam por perto dela. E ela está cansada. Cansada de dizerem de "...
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Não, não sou eu. Digo, eu não sou. Não sou, simplesmente não o sou. Deveria sê-lo, porém não me sinto. Não me sinto como algo perdido. Tampouco como algo encontrado. Talvez, realmente não tenha um caminho pré-determinado. Deveria tê-lo? Não sei. Mas há toda essa angústia por aqui. Essa nítida sensação de que me falta algo, de que algo me escapa. E não o sou. E não me sou. Me falta tempo? Esperança? Confiança? Meta? Me perco, me acho, me sinto, me traio. Mas não o sou. Simplesmente, não o sou. E quanto mais o quero, Mais rechaço. Tenho medo E cansaço. Quero simplesmente dormir. Dormir e deixar que tudo passe. Me passe. E me esqueça.
.espelho.
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Não que ela não soubesse. Não que ela se enganasse. Pelo contrário. Vivia em cima da verdade, conhecia muito bem o caminho, sabia muito bem que a queda estava para acontecer. E sabia que de nada adiantava ficar remoendo, remoendo e remoendo... Sempre repetia que quem vivia de passado era museu. Repetia com tanto afinco que era para se convencer. Convencer-se a seguir. A deixar certas agonias de lado. Convencer-se a deixar de mexer em certas feridas. O que era tão interessante é que só depois, depois da poeira ter abaixado, depois do rio ter secado, é que a dor lhe parecia tão interessante. Gostava da dor, gostava de revisitá-la. Não entendia muito bem. Talvez fosse, realmente, masoquista. Talvez quisesse, realmente, culpar-se. Porque assim doía. Sempre me parecera que era deveras estranha, sinistra, muito na dela. Não que isso fosse um julgamento. Era somente uma impressão. Talvez não fosse assim 24h por dia. Talvez, em algum momento, deixasse de ser a dona do drama e fosse, simplesmen...
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Se a gente não tivesse Feito tanta coisa Se não tivesse Dito tanta coisa Se não tivesse Inventado tanto Podia ter vivido Um amor grand'hotel... Se a gente não fizesse Tudo tão depressa Se não dissesse Tudo tão depressa Se não tivesse Exagerado a dose Podia ter vivido Um grande amor... Um dia um caminhão Atropelou a paixão Sem os teus carinhos E tua atenção O nosso amor Se transformou Em "bom dia!" Qual o segredo Da felicidade? Será preciso ficar só Prá se viver Qual o sentido Da realidade? Será preciso ficar só Prá se viver... Se a gente não dissesse Tudo tão depressa Se não fizesse Tudo tão depressa Se não tivesse Exagerado a dose Podia ter vivido Um grande amor... Um dia um caminhão Atropelou a paixão Sem os teus carinhos E tua atenção O nosso amor Se transformou Em "bom dia!" Qual o segredo Da felicidade? Será preciso ficar só Prá se viver Qual o sentido Da realidade? Será preciso ficar só Prá se viver Só prá se viver Ficar só! Só prá se viver Ficar só! Só pr...
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Aprendi muitas coisas pelo caminho. Outras tantas ficaram por aprender. Deixei muitas mágoas guardadas em baús, Mas espalhei algumas pela sala. Por vezes, pensei em morrer, Por outras, quis matar. Mas, no final das contas, descobri que a indiferença É o melhor para certas pessoas. Já quis me vingar. Fui vítima de vingança. Já chorei e fiz chorar. Não tenho coragem de colocar na balança Porque certas verdades não aprendi a confrontar. Fui criança, Fui moleca, Fui mulher, Fui covarde. Desejei muito Por vez fiz pouco para alcançar. Outras vezes corri muito atrás E não cheguei nem perto. Quis carinho. Neguei carinho. Fingi que amei. Pensei que era amada. Mas, pensando bem, o que é o amor? É algo que criamos, que inventamos. Não se tem como mensurar. Já quis ser outros, Não quis outros por perto. Chorei por causa da solidão, Clamei por solidão. Fui farrista, Fui recatada. Confesso que muito escondo. Confesso que muito desejo. Mas não piso nos outros Pra chegar onde quero.
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Começou de súbito A festa estava mesmo ótima Ela procurava um príncipe Ele procurava a próxima Ele reparou nos óculos Ela reparou nas vírgulas Ele ofereceu-lhe um ácido E ela achou aquilo o máximo Os lábios se tocaram ásperos Em beijos de tirar o fôlego Tímidos, transaram trôpegos E ávidos, gozaram rápido Ele procurava álibis Ela flutuava lépida Ele sucumbia ao pânico E ela descansava lívida O medo redigiu-se ínfimo E ele percebeu a dádiva Declarou-se dela, o súdito Desenhou-se a história trágica Ele, enfim, dormiu apático Na noite segredosa e cálida Ela despertou-se tímida Feita do desejo, a vítima Fugiu dali tão rápido Caminhando passos tétricos Amor em sua mente épico Transformado em jogo cínico Para ele, uma transa típica O amor em seu formato mínimo O corpo se expressando clínico Da triste solidão, a rúbrica
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essa mania de querer tudo para ontem é algo que realmente me tira do sério. quando se junta a tendência de remexer gavetas empoeiradas pelo simples motivo de não ter nada melhor para fazer, pior ainda. e por mais que eu tente, não me acostumo, não me acostumo. acho que me falta treino para que certas falas me sejam totalmente naturais.
Miragem
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Você esquece, Perdoa, Vira a página, Engole, Dissimula, Agüenta, Um coração partido? Você é capaz De dizer que a vida vai bem, Obrigado, Que tudo são flores E que nada machuca Àqueles que te deixaram? Você sabe reconhecer Se foi realmente amor, Se foi desespero, Se foi vicio, Ou simplesmente tédio? Então não me diga, Por favor, não me diga, Que tudo tem um motivo, Que sempre há um porém. Que certos amores não são eternos E não me chame de meu bem. Não me peça desculpas, Quando te peço explicações. Você é capaz, De dizer que não amou, Que não sofreu, Que esqueceu, Que a fila andou, Que tudo viveu E nada ficou? Porque nem tudo é miragem, Porque no final sempre alguma coisa permanece, Porque sempre existe essa necessidade suprema De ser alguém E ser de alguém Só se lembre o quanto você fez sofrer A quem te quis tão bem
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E ela se dizia cansada. Sei, cansada. Como me incomodava tantos verbos conjugados na primeira pessoa do singular. Em tudo havia um EU. Eu espero... Eu quero... Eu procuro... Eu estou tão cansada. E eu não queria mais ouvi-la, segui-la, pajeá-la. Queria simplesmente que ela parasse de falar sobre ela, sobre seu cansaço, sobre seus tormentos.... Queria ser apenas eu e nada mais.
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Entre as folhas do verde O 1 (...) O príncipe acordou contente. Era dia de caçada. Os cachorros latiam no pátio do castelo. (...) Lá embaixo parecia uma festa. (...) Brilhavam os dentes abertos em risadas, as armas, as trompas que deram o sinal de partida. Na floresta também ouviram a trompa e o alarido. (...) E cada um se escondeu como pôde. Só a moça não se escondeu. Acordou com o som da tropa, e estava debruçada no regato quando os caçadores chegaram. Foi assim que o príncipe a viu. Metade mulher, metade corça, bebendo no regato. A mulher tão linda. A corça tão ágil. A mulher ele queria amar, a corça ele queria matar. Se chegasse perto será que ela fugia? Mexeu num galho, ela levantou a cabeça ouvindo. Então o príncipe botou a flecha no arco, retesou a corda, atirou bem na pata direita. E quando a corça-mulher dobrou os joelhos tentando arrancar a flecha, ele correu e a segurou, chamando homens e cães. Levaram a corça para o castelo. Veio o médico, trataram do ferimento. Puseram a c...
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Was a long and dark December From the rooftops I remember There was snow White snow Clearly I remember From the windows they were watching While we froze down below When the future's architectured By a carnival of idiots on show You'd better lie low If you love me Won't you let me know? Was a long and dark December When the banks became cathedrals And the fog Became God Priests clutched onto bibles Hollowed out to fit their rifles And the cross was held aloft Bury me in honor When I’m dead and hit the ground My Love is opposed when unfold If you love me Won't you let me know? I don't want to be a soldier With the captain of some sinking ship With snow, far below If you love me Why'd you let me go? I took my love down to Violet Hill There we sat in snow All that time she was silent still So if you love me Won't you let me know? If you love me, Won't you let me know? ... é que por vezes eu realmente tenho a sensação de que tudo é um sonho, uma ausência, um...