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Ela está cansada.

Cansada de tudo. Da vida, em geral. Porque, olhando de fora, analisando os fatos, a balança não está tão equilibrada. E eu queria, queria muito, pode dizer a ela que tudo vai passar, que as coisas vão se acalmar e que daqui a algum tempo vamos olhar para trás e vamos rir disso tudo. Mas eu não consigo. Simplesmente, não posso. Porque ela está cansada das críticas, do nunca ser boa o suficiente, de sempre ter alguém querendo o seu bem... E com essa querência, empurrando-a mais e mais para baixo, fingindo que "tudo bem, ela não liga, ela aguenta". Mas ela liga e começa a acreditar que não aguenta. E ela não quer mais. Não quer mais dizer que está tudo bem, não quer mais ter que suportar pessoas que começam as frases com "Eu acho". Elas acham tudo, sobre tudo. Só que as mesmas não vêem o que realmente ocorre, não sabem o que acontece no apagar das luzes. Não entendem dos medos e demônios que sempre rondam por perto dela. E ela está cansada. Cansada de dizerem de "...
Não, não sou eu. Digo, eu não sou. Não sou, simplesmente não o sou. Deveria sê-lo, porém não me sinto. Não me sinto como algo perdido. Tampouco como algo encontrado. Talvez, realmente não tenha um caminho pré-determinado. Deveria tê-lo? Não sei. Mas há toda essa angústia por aqui. Essa nítida sensação de que me falta algo, de que algo me escapa. E não o sou. E não me sou. Me falta tempo? Esperança? Confiança? Meta? Me perco, me acho, me sinto, me traio. Mas não o sou. Simplesmente, não o sou. E quanto mais o quero, Mais rechaço. Tenho medo E cansaço. Quero simplesmente dormir. Dormir e deixar que tudo passe. Me passe. E me esqueça.

.espelho.

Não que ela não soubesse. Não que ela se enganasse. Pelo contrário. Vivia em cima da verdade, conhecia muito bem o caminho, sabia muito bem que a queda estava para acontecer. E sabia que de nada adiantava ficar remoendo, remoendo e remoendo... Sempre repetia que quem vivia de passado era museu. Repetia com tanto afinco que era para se convencer. Convencer-se a seguir. A deixar certas agonias de lado. Convencer-se a deixar de mexer em certas feridas. O que era tão interessante é que só depois, depois da poeira ter abaixado, depois do rio ter secado, é que a dor lhe parecia tão interessante. Gostava da dor, gostava de revisitá-la. Não entendia muito bem. Talvez fosse, realmente, masoquista. Talvez quisesse, realmente, culpar-se. Porque assim doía. Sempre me parecera que era deveras estranha, sinistra, muito na dela. Não que isso fosse um julgamento. Era somente uma impressão. Talvez não fosse assim 24h por dia. Talvez, em algum momento, deixasse de ser a dona do drama e fosse, simplesmen...
Se a gente não tivesse Feito tanta coisa Se não tivesse Dito tanta coisa Se não tivesse Inventado tanto Podia ter vivido Um amor grand'hotel... Se a gente não fizesse Tudo tão depressa Se não dissesse Tudo tão depressa Se não tivesse Exagerado a dose Podia ter vivido Um grande amor... Um dia um caminhão Atropelou a paixão Sem os teus carinhos E tua atenção O nosso amor Se transformou Em "bom dia!" Qual o segredo Da felicidade? Será preciso ficar só Prá se viver Qual o sentido Da realidade? Será preciso ficar só Prá se viver... Se a gente não dissesse Tudo tão depressa Se não fizesse Tudo tão depressa Se não tivesse Exagerado a dose Podia ter vivido Um grande amor... Um dia um caminhão Atropelou a paixão Sem os teus carinhos E tua atenção O nosso amor Se transformou Em "bom dia!" Qual o segredo Da felicidade? Será preciso ficar só Prá se viver Qual o sentido Da realidade? Será preciso ficar só Prá se viver Só prá se viver Ficar só! Só prá se viver Ficar só! Só pr...
Aprendi muitas coisas pelo caminho. Outras tantas ficaram por aprender. Deixei muitas mágoas guardadas em baús, Mas espalhei algumas pela sala. Por vezes, pensei em morrer, Por outras, quis matar. Mas, no final das contas, descobri que a indiferença É o melhor para certas pessoas. Já quis me vingar. Fui vítima de vingança. Já chorei e fiz chorar. Não tenho coragem de colocar na balança Porque certas verdades não aprendi a confrontar. Fui criança, Fui moleca, Fui mulher, Fui covarde. Desejei muito Por vez fiz pouco para alcançar. Outras vezes corri muito atrás E não cheguei nem perto. Quis carinho. Neguei carinho. Fingi que amei. Pensei que era amada. Mas, pensando bem, o que é o amor? É algo que criamos, que inventamos. Não se tem como mensurar. Já quis ser outros, Não quis outros por perto. Chorei por causa da solidão, Clamei por solidão. Fui farrista, Fui recatada. Confesso que muito escondo. Confesso que muito desejo. Mas não piso nos outros Pra chegar onde quero.
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Começou de súbito A festa estava mesmo ótima Ela procurava um príncipe Ele procurava a próxima Ele reparou nos óculos Ela reparou nas vírgulas Ele ofereceu-lhe um ácido E ela achou aquilo o máximo Os lábios se tocaram ásperos Em beijos de tirar o fôlego Tímidos, transaram trôpegos E ávidos, gozaram rápido Ele procurava álibis Ela flutuava lépida Ele sucumbia ao pânico E ela descansava lívida O medo redigiu-se ínfimo E ele percebeu a dádiva Declarou-se dela, o súdito Desenhou-se a história trágica Ele, enfim, dormiu apático Na noite segredosa e cálida Ela despertou-se tímida Feita do desejo, a vítima Fugiu dali tão rápido Caminhando passos tétricos Amor em sua mente épico Transformado em jogo cínico Para ele, uma transa típica O amor em seu formato mínimo O corpo se expressando clínico Da triste solidão, a rúbrica
essa mania de querer tudo para ontem é algo que realmente me tira do sério. quando se junta a tendência de remexer gavetas empoeiradas pelo simples motivo de não ter nada melhor para fazer, pior ainda. e por mais que eu tente, não me acostumo, não me acostumo. acho que me falta treino para que certas falas me sejam totalmente naturais.

Miragem

Você esquece, Perdoa, Vira a página, Engole, Dissimula, Agüenta, Um coração partido? Você é capaz De dizer que a vida vai bem, Obrigado, Que tudo são flores E que nada machuca Àqueles que te deixaram? Você sabe reconhecer Se foi realmente amor, Se foi desespero, Se foi vicio, Ou simplesmente tédio? Então não me diga, Por favor, não me diga, Que tudo tem um motivo, Que sempre há um porém. Que certos amores não são eternos E não me chame de meu bem. Não me peça desculpas, Quando te peço explicações. Você é capaz, De dizer que não amou, Que não sofreu, Que esqueceu, Que a fila andou, Que tudo viveu E nada ficou? Porque nem tudo é miragem, Porque no final sempre alguma coisa permanece, Porque sempre existe essa necessidade suprema De ser alguém E ser de alguém Só se lembre o quanto você fez sofrer A quem te quis tão bem
E ela se dizia cansada. Sei, cansada. Como me incomodava tantos verbos conjugados na primeira pessoa do singular. Em tudo havia um EU. Eu espero... Eu quero... Eu procuro... Eu estou tão cansada. E eu não queria mais ouvi-la, segui-la, pajeá-la. Queria simplesmente que ela parasse de falar sobre ela, sobre seu cansaço, sobre seus tormentos.... Queria ser apenas eu e nada mais.
Entre as folhas do verde O 1 (...) O príncipe acordou contente. Era dia de caçada. Os cachorros latiam no pátio do castelo. (...) Lá embaixo parecia uma festa. (...) Brilhavam os dentes abertos em risadas, as armas, as trompas que deram o sinal de partida. Na floresta também ouviram a trompa e o alarido. (...) E cada um se escondeu como pôde. Só a moça não se escondeu. Acordou com o som da tropa, e estava debruçada no regato quando os caçadores chegaram. Foi assim que o príncipe a viu. Metade mulher, metade corça, bebendo no regato. A mulher tão linda. A corça tão ágil. A mulher ele queria amar, a corça ele queria matar. Se chegasse perto será que ela fugia? Mexeu num galho, ela levantou a cabeça ouvindo. Então o príncipe botou a flecha no arco, retesou a corda, atirou bem na pata direita. E quando a corça-mulher dobrou os joelhos tentando arrancar a flecha, ele correu e a segurou, chamando homens e cães. Levaram a corça para o castelo. Veio o médico, trataram do ferimento. Puseram a c...
Was a long and dark December From the rooftops I remember There was snow White snow Clearly I remember From the windows they were watching While we froze down below When the future's architectured By a carnival of idiots on show You'd better lie low If you love me Won't you let me know? Was a long and dark December When the banks became cathedrals And the fog Became God Priests clutched onto bibles Hollowed out to fit their rifles And the cross was held aloft Bury me in honor When I’m dead and hit the ground My Love is opposed when unfold If you love me Won't you let me know? I don't want to be a soldier With the captain of some sinking ship With snow, far below If you love me Why'd you let me go? I took my love down to Violet Hill There we sat in snow All that time she was silent still So if you love me Won't you let me know? If you love me, Won't you let me know? ... é que por vezes eu realmente tenho a sensação de que tudo é um sonho, uma ausência, um...
Por vezes eu me separo, Eu me calo, Me isolo, E não me gosto. Por vezes quero que o mundo suma, Que o tempo pare, Que a vida me esqueça, E não me explico. Por vezes eu não penso, Simplesmente esqueço, Me perco em alguma curva, E não me arrependo. Por vezes sei que nada vale a pena, Que a alma pode ser pequena, Que o bem nem sempre vence E não me convenço.
Porque temos a eterna mania de achar que o Universo conspira contra nós, contra os nossos desejos, vontades e caprichos. Pensamos que tudo sempre é pra pior... Eu passei (um pouco) dessa fase. Digo um pouco porque não consigo não me rebelar, de achar que sou a pessoa mais perseguida do mundo e que tudo só acontece comigo. Porém digo que já passei dessa fase porque esse ataque de menina mimada passa depois de um tempo. E o sol volta a brilhar, a vida segue seu caminho e mesmo que ainda tenha gente que ache que tal coisa é o maior azar do mundo, vejo que foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido no momento.

CECI

Ceci está sentada no chão da sala Mirando com olhos vítreos A foto na estante. Ela mantém as pernas junto ao peito, Se abraça para se sentir segura; Não se mexe, Tem a respiração lenta, Ceci só pensa. Pensa mas tem medo, Não sabe o que é passado, Não sabe o que é imaginação. E a foto está lá Com seus rostos a mirando de volta Com o falso sorriso de felicidade Que ela encara como sarcasmo. E é realmente. Ela já descobriu que tudo Que um dia achou certo, Achou seguro, Pobre menina mimada... Foi construído sobre areia E a tempestade mais forte chegou. Ceci quer respostas, Respostas que ninguém quer dar. Por que a hipocrisia? Por que o egoísmo? Por que a traição? Chora, só sobrou isso... Mas os olhos continuam secos, Mesmo que ninguém fosse ver Uma lágrima rolar. A foto não é antiga Só que parece que foi Há uma eternidade. Ceci queria fugir, Corra, o mundo é muito grande... Começar tudo novo, Ser outra pessoa, Ter outra chance, Mas as coisas não funcionam assim na vida real. Pobre menina ...
Eu tenho os meus silêncios e por vezes são impensados. Eu tenho meus discursos e quase sempre eles saem sem que eu queira. Porque eu acabo sendo simplesmente isso, O que não quero é o que aparece E o que temo é só meu. Não me arrependo com facilidade, Porém sempre imagino o que não foi. Faço filmes, Recontos histórias, Invento memórias. Porque eu sei que no fundo É isso que sou. E renegar é desperdício. Certas coisas simplesmente o são. E aprendi a aceitar isso.

Como encarar a morte

De longe Quatro bem-te-vis levam nos bicos o batel de ouro e lápis-lazúli, e pousando-o sobre uma acácia cantam o canto costumeiro. O barco lá fica banhado de brisa aveludada, açúcar, e os bem-te-vis, já esquecidos de perpassar, dormem no espaço. À meia distância Claridade infusa na sombra, treva implícita na claridade? Quem ousa dizer o que viu, se não viu a não ser em sonho? Mas insones tornamos a vê-lo e um vago arrepio vara a mais íntima pele do homem. A superfície jaz tranqüila. De lado Sente-se já, não a figura, passos na areia, pés incertos, avançando e deixando ver um certo cógifo de sandálias. Salvo rosto ou contorno explícito, como saber que nos procura o viajante sem identidade? Algum ponto em nós se recusa. De dentro Agora não se esconde mais. Apresenta-se, corpo inteiro, se merece nome de corpo o gás de um estado indefinível. Seu interior mostra-se aberto. Promete riquezas, prêmios, mas eis que falta curiosidade, e todo ferrão de desejo. Sem vista Singular, sentir não sent...

Se aplica bem ao momento - 3 de Março

Biologia aplicada Feedback, também conhecido como retroalimentação, é um sistema bem simples: tu me alimentas com algo e em conseqüência disso te alimentarei com outro algo. O algo que me deres – por exemplo, jenipapo, biscoito, amor – poderá preencher uma necessidade nutricional minha e, dependendo do algo que for e da minha constituição, a corpórea e a etérea, poderá fartar-me (ou faltar-me) tal ou qual nutriente, o que terá conseqüências no meu metabolismo, estilo de vida, personalidade, humor… O algo que me deres não será obrigatória e necessariamente o algo que te darei, porque posso ingeri-lo ou transformá-lo – se me deres jenipapo, retroalimento-te com licor; se me deres biscoito, com bolacha (tal ou qual seja minha naturalidade, ou minha natureza); se me deres amor… Se me deres amor, não sei com que te retroalimentarei, mas ficarei nutrida, e certamente poderei, se me deres amor. Se eu te der amor, e me retroalimentares com desprezo, ausência, dor, traição, descaso, incredulida...
O que me tranquiliza é que tudo o que existe, existe com uma precisão absoluta. O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete não transborda Nem uma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete. Tudo o que existe é de uma grande exatidão. Pena é que a maior parte do que existe com essa exatidão nos é, Tecnicamente, invisível. O bom é que a verdade chega a nós como um sentido secreto das coisas. Nós terminamos adivinhando, confusos, a perfeição.
Todos esses que aí estão Atravancando meu caminho, Eles passarão... Eu passarinho! Ai, menina... como te dizer que o teu grito não move montanhas, teu choro não comove aos grandes e tua dor não causa estranhamento aos demais...?

Você sabe de mim?

Você sabe de mim? Sabe me ver, me olhar, me enxergar E mesmo sem me entender, sabe de mim?     Compreende que o medo tem seu lugar Assim como a paixão As respostas E as incógnitas E no final sabe de mim?     Sabe o que quero entender O que deixei pra trás O que me fez sofrer E o que me satisfaz?     Sabe de mim? Que eu não me prendo no fim Que vivo pelo segundo E que o que passou deveras não me importa?     Sabe de mim? Sabe que meu amor é inconfessável Que as minhas dores, eu espalho Que as palavras certas eu guardo Que nada no final das contas me mostra?     Pois é interessante essa coisa que não me define Mas que me mostra com tamanha clareza Que fica por aqui e mas não se fixa Que assusta mas não te impede que permaneça