Por vezes eu me separo, Eu me calo, Me isolo, E não me gosto. Por vezes quero que o mundo suma, Que o tempo pare, Que a vida me esqueça, E não me explico. Por vezes eu não penso, Simplesmente esqueço, Me perco em alguma curva, E não me arrependo. Por vezes sei que nada vale a pena, Que a alma pode ser pequena, Que o bem nem sempre vence E não me convenço.
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Porque temos a eterna mania de achar que o Universo conspira contra nós, contra os nossos desejos, vontades e caprichos. Pensamos que tudo sempre é pra pior... Eu passei (um pouco) dessa fase. Digo um pouco porque não consigo não me rebelar, de achar que sou a pessoa mais perseguida do mundo e que tudo só acontece comigo. Porém digo que já passei dessa fase porque esse ataque de menina mimada passa depois de um tempo. E o sol volta a brilhar, a vida segue seu caminho e mesmo que ainda tenha gente que ache que tal coisa é o maior azar do mundo, vejo que foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido no momento.
CECI
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Ceci está sentada no chão da sala Mirando com olhos vítreos A foto na estante. Ela mantém as pernas junto ao peito, Se abraça para se sentir segura; Não se mexe, Tem a respiração lenta, Ceci só pensa. Pensa mas tem medo, Não sabe o que é passado, Não sabe o que é imaginação. E a foto está lá Com seus rostos a mirando de volta Com o falso sorriso de felicidade Que ela encara como sarcasmo. E é realmente. Ela já descobriu que tudo Que um dia achou certo, Achou seguro, Pobre menina mimada... Foi construído sobre areia E a tempestade mais forte chegou. Ceci quer respostas, Respostas que ninguém quer dar. Por que a hipocrisia? Por que o egoísmo? Por que a traição? Chora, só sobrou isso... Mas os olhos continuam secos, Mesmo que ninguém fosse ver Uma lágrima rolar. A foto não é antiga Só que parece que foi Há uma eternidade. Ceci queria fugir, Corra, o mundo é muito grande... Começar tudo novo, Ser outra pessoa, Ter outra chance, Mas as coisas não funcionam assim na vida real. Pobre menina ...
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Eu tenho os meus silêncios e por vezes são impensados. Eu tenho meus discursos e quase sempre eles saem sem que eu queira. Porque eu acabo sendo simplesmente isso, O que não quero é o que aparece E o que temo é só meu. Não me arrependo com facilidade, Porém sempre imagino o que não foi. Faço filmes, Recontos histórias, Invento memórias. Porque eu sei que no fundo É isso que sou. E renegar é desperdício. Certas coisas simplesmente o são. E aprendi a aceitar isso.
Como encarar a morte
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De longe Quatro bem-te-vis levam nos bicos o batel de ouro e lápis-lazúli, e pousando-o sobre uma acácia cantam o canto costumeiro. O barco lá fica banhado de brisa aveludada, açúcar, e os bem-te-vis, já esquecidos de perpassar, dormem no espaço. À meia distância Claridade infusa na sombra, treva implícita na claridade? Quem ousa dizer o que viu, se não viu a não ser em sonho? Mas insones tornamos a vê-lo e um vago arrepio vara a mais íntima pele do homem. A superfície jaz tranqüila. De lado Sente-se já, não a figura, passos na areia, pés incertos, avançando e deixando ver um certo cógifo de sandálias. Salvo rosto ou contorno explícito, como saber que nos procura o viajante sem identidade? Algum ponto em nós se recusa. De dentro Agora não se esconde mais. Apresenta-se, corpo inteiro, se merece nome de corpo o gás de um estado indefinível. Seu interior mostra-se aberto. Promete riquezas, prêmios, mas eis que falta curiosidade, e todo ferrão de desejo. Sem vista Singular, sentir não sent...
Se aplica bem ao momento - 3 de Março
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Biologia aplicada Feedback, também conhecido como retroalimentação, é um sistema bem simples: tu me alimentas com algo e em conseqüência disso te alimentarei com outro algo. O algo que me deres – por exemplo, jenipapo, biscoito, amor – poderá preencher uma necessidade nutricional minha e, dependendo do algo que for e da minha constituição, a corpórea e a etérea, poderá fartar-me (ou faltar-me) tal ou qual nutriente, o que terá conseqüências no meu metabolismo, estilo de vida, personalidade, humor… O algo que me deres não será obrigatória e necessariamente o algo que te darei, porque posso ingeri-lo ou transformá-lo – se me deres jenipapo, retroalimento-te com licor; se me deres biscoito, com bolacha (tal ou qual seja minha naturalidade, ou minha natureza); se me deres amor… Se me deres amor, não sei com que te retroalimentarei, mas ficarei nutrida, e certamente poderei, se me deres amor. Se eu te der amor, e me retroalimentares com desprezo, ausência, dor, traição, descaso, incredulida...
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O que me tranquiliza é que tudo o que existe, existe com uma precisão absoluta. O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete não transborda Nem uma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete. Tudo o que existe é de uma grande exatidão. Pena é que a maior parte do que existe com essa exatidão nos é, Tecnicamente, invisível. O bom é que a verdade chega a nós como um sentido secreto das coisas. Nós terminamos adivinhando, confusos, a perfeição.
Você sabe de mim?
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Você sabe de mim? Sabe me ver, me olhar, me enxergar E mesmo sem me entender, sabe de mim? Compreende que o medo tem seu lugar Assim como a paixão As respostas E as incógnitas E no final sabe de mim? Sabe o que quero entender O que deixei pra trás O que me fez sofrer E o que me satisfaz? Sabe de mim? Que eu não me prendo no fim Que vivo pelo segundo E que o que passou deveras não me importa? Sabe de mim? Sabe que meu amor é inconfessável Que as minhas dores, eu espalho Que as palavras certas eu guardo Que nada no final das contas me mostra? Pois é interessante essa coisa que não me define Mas que me mostra com tamanha clareza Que fica por aqui e mas não se fixa Que assusta mas não te impede que permaneça
[Sonata aos de fora]
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E dentro do silêncio há o impensável, O inevitável, O que se busca com a mesma força que se evita E dentro se imagina que não há mais mundo lá for a Que a coerência é pessoal demais para ser considerada regra Que a vida é pouco para quem quer muito E se fico aqui dentro É que o que está for a não me completa, Não me traduz, Não me refaz Porque me são necessárias as noites de mais completo silêncio, Porque não me sufocam os dias de paz Tenho essa necessidade inerente de ser eu mesma E não ter que pedir permissão aos demais. E há dentro tudo que evito E dentro estão as minhas ilusões E aqui vivem os meus sonhos E não há decepções E se vivo te dizendo Não tenha medo, porque sei o que faço, Não pense que é mera ironia ou blefe Eu não me arrependo, não me desculpo. Sei que mereço Não renego E realmente só me entendo Quando me tranco aqui dentro.
Ai de mim
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[porque há momentos na vida que a gente pára de achar que se é possível ser tudo na mesma hora, ter tudo ao mesmo tempo...] Ai de mim Que de mim não tenho pena Que acredito que realmente Não tenho destino mais triste Além de seguir pelo meu caminho. Ai de mim Que vivo esse não sei o quê Que tenho medo da próxima curva E finjo não ver que perco o meu tempo Sendo o que sempre vou ser. Ai de mim Que tenho essa vontade angustiante Essa coisa de correr e não seguir De perder o fôlego à toa. De envelhecer e jamais crescer. Pobre de mim Que cheguei ao extremo de sentir lástima. Muita lástima. Ai de mim.
Y qué hacer…
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ya tuve que ir obligado a misa ya toque en el piano para elisa ya aprendí a falsear mi sonrisa ya camine por la cornisa ya cambie de lugar mi cama ya hice comedia ya hice drama fui concreto y me fui por las ramas ya me hice el bueno y tuve mala fama ya fue ético y fui errático ya fui escéptico y fui fanático ya fui abúlico y metódico ya fui púdico fui caótico ya leí arthur conan doyle ya me pase de nafta a gas oil ya leí a bretón y a mollier ya dormí en colchón y en sommier ya me cambie el pelo de color ya estuve en contra y estuve a favor lo que me daba placer ahora me da dolor ya estuve al otro lado del mostrador y oigo una voz que dice sin razón vos siempre cambiando ya no cambias más y yo estoy cada vez más igual ya no sé que hacer conmigo ya me ahogue en un vaso de agua ya plante café en nicaragua ya me fui a probar suerte a usa ya jugué a la ruleta rusa ya creí en los marcianos ya fui ovolazo vegetariano, sano fui quieto y fui gitano ya estuve tranqui y estuve hasta las manos hic...
O passado nem sempre é tão irreconhecível... – reload 2008.
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A vida anda meio louca, meio complicada, meio perdida. Em muitos momentos já tive certeza. E obviamente, houve a dor, a tristeza, o arrependimento, o soco na boca do estômago. E sim, é triste mas contabilizo tudo isso. Não sou um espírito tão evoluído ao ponto de só ver a luz. Mas também sei ser Pollyanna, brincar que no final das contas seremos todos felizes, que muito do que me tira o sono hoje em dia não terá a menor importância daqui a 10 anos. Ou 5. Até mesmo 1. Quem sabe amanhã o motivo de meu suicídio de hoje não seja nada realmente. Mas sou assim, teatral, organizada nesse lugar tão organizado. Choro por tudo e vejo muito pouca graça em coisas que fazem a humanidade rolar de rir. (Humor sutil, talvez. Na verdade, é mais sarcasmo mesmo) Vamos ser sinceros, e dizer nossos defeitos no primeiro encontro: As coisas devem ser como eu quero, não nego (mas, por vezes, faço concessões); não aceito muito bem mudanças de plano (desisti de lutar contra isso); não suporto atrasos. Não me d...
O que eu não aprendi.
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Muita coisa mudou. Muita mesmo. E eu sempre me dou conta do fato ao olhar fotos antigas. Não que a mudança seja física ou algo tão palpável assim. Pelo contrário. Muitas delas só eu as conheço mesmo. Ñão quero comentá-las. Não acho que venha ao caso. Entretanto, as coisas que eu ainda não aprendi são as que me molestam, realmente. Depois de tanto tempo eu ainda não aprendi que não adianta que você não se intrometa na vida alheia ou não aponte os erros de terceiros - eles sempre farão isso com você.
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... e o que mais incomondava era aquela sensação de algo fora de lugar - porque sempre lhe parecia que havia algo fora de seu devido lugar. Porque lhe parecia que não estava em seu devido posto, que não fazia muito bem o que queriam dela, que não desempenhava com habilidade o seu papel. Queria, por causa disso, fugir, fugir e fugir, ir para onde ninguém a conhecesse e assim pudesse recomeçar. Porém, encontrava outro problema: recomeçar em quê? Recomeçar o quê? Se ela sequer sabia muito bem o que realmente fazia ou o que definitivamente era...
[to my bubbly]
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Eu estou acordada há algum tempo agora Você fez com que eu me sentisse como uma criança agora Porque toda vez que eu vejo seu rosto animado Eu sinto um arrepio num lugar bobo [Refrão] Começa na ponta dos meus pés Me faz enrugar o nariz Para onde for, eu sempre sei Que você me faz sorrir Por favor, fique por um instante agora Não tenha pressa Em qualquer lugar que você vá A chuva está caindo no vidro da minha janela Mas nós estamos nos escondendo em um lugar seguro Debaixo das cobertas, ficando secos e quentes Você me dá sentimentos que eu adoro [Refrão] O que eu vou dizer Quando você faz com que eu me sinta desse jeito? Eu apenas......... Refrão Já faz um tempo que eu adormeci Você me cobriu como uma criança agora Porque toda vez que você me segura em seus braços Eu fico confortável o bastante para sentir o seu calor Começa na minha alma E eu perco todo o controle Quando você beija o meu nariz O sentimento aparece Porque você me faz sorrir Baby, não se apresse Enquanto você me abraça f...
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... e tudo o que posso dizer no momento é que me dei conta que o grande problema - não da humanidade, mas da parte que me interessa - é a falta de vontade. Porque, no final das contas, se tem o que se quer mas não se sabe muito bem o porquê de tal querer. E não tem gosto de passageiro e lamenta-se a perda mas não se descobre o porquê. E falta esse entendimento, essa coisa não-nomeada, que não está muito bem definida... mas que posso resumir com a simples sentença: falta paixão. Porque no final das contas se fez para seguir o rio, era o que esperava e, assim, passou a querer. Mas de repente observo de fora, reparo nas nuances e nos detalhes... E sim, faltou paixão. Fecham-se as cortinas. Próximo ato, por favor.