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Daquilo que sou

Tenho uma vida bonitinha. Direitinha, não perfeitinha. Tenho o que quero ter e tenho plena consciência das minhas escolhas. Gosto do que faço - na medida do possível. Mas acho que quem diz que ama o que faz e que nunca tem problemas é absurdamente mentiroso. Porém... sempre me parece que falta algo.  Não sei definir. Não sei de onde vem. Mas sempre falta.  A sensação é que a plenitude está ali, pode ser quase tocada. Quase conquistada. Me parece que vivo nesse limiar do quase. E pensa que é fácil? Pois depois ainda se complica mais. Porque junta a essa sensação do QUASE as conjecturas do SE - o que é deveras pior, visto que se o QUASE, quem sabe, um dia se supera, o SE traz consigo a certeza de que o passado nunca poderá ser alterado. E pronto. Mais insatisfação toma conta de mim e eu quero suplantá-la das formas mais terríveis possíveis.  E é aí que o barraco desaba. Porque nunca se tem a perfeição e eu sei disso. Mas ao fazer tudo ao contrário...

Quer saber...

... o pior da minha profissão? Ter que lidar com os imbecis de carteirinha. Bem, na verdade, isso é o pior da vida, né. Porque, fala sério, imbecis são uma raça que não corre mesmo o risco de extinção. Como se reprocriam rápido. Mas no trabalho, eu tô lá e tenho que fazer cara de paisagem, com infeliz achando "haha pô, tô sacaneando a professora" e eu só pensando "caralho, que vergonha alheia tenho de você e que pena tenho dos seus pais" . Mas, enfim. Vida que segue.
Engolir sapos. Isso é arte.
preciso voltar só para não me esquecer de quem sou, para me perdoar pelas falhas e relembrar o que fiz e porquê o fiz. não me arrependo - mas também tenho que me lembrar disso. tenho medo, porque nunca sei o que realmente virá. tenho aquela sensação de que falta algo - e nunca se torna suficientemente sólido para que eu identifique do que se trata. sempre espero - espero aquilo que eu não sei muito bem do que se trata, não sei colocar em palavras, para parece-me que está sempre depois da próxima curva. o que fazer? como seguir? o que esperar? não tenho medo. tenho ansiedade.
Então, vai-se mais um pouco. E tudo segue, é bem verdade. E cá estou eu, vivendo um dia de cada vez, mas repetindo os mesmos erros. Parece que é de propósito. Acho que é por causa dessa coisa de auto-destruição. Não sei e não quero pensar sobre isso agora.
Queria que passasse essa sensação de vida pra depois, de vida que não é minha. Eu sei, sei que não sou a primeira nem a última a me sentir assim. Sei que não sou especial por ser assim ou por querer que as coisas mudem. Tampouco me vanglorio por minhas indecisões e burradas e nem quero que sintam pena de mim por isso. São só constatações, nada mais, nada além. Ao mesmo tempo que todos nós nos sentimos únicos, incompreendidos e singulares, temos que nos lembrar que somos apenas mais um em zilhões, que navegamos no infinito e... e nada. Não sabemos o que virá depois, porque viemos de onde viemos... E é isso. Queria que a sensação de tudo isso passasse. Porque tenho medo do futuro, por não controlá-lo, por saber que o tempo vem, chega e passa... E nada posso fazer. Não controlo nada. Nem essa vida, que juro que não deveria ser minha.
Não estou, simplesmente, numa encruzilhada. Queria que fosse somente isso, mas não. Estou numa encruzilhada sim, mas além disso nenhuma das opções me apetecem. Elas, simplesmente, poderiam deixar de ser, são como se não precisasse mais, como se tudo não me tivesse mais brilho, mais nada. Qu O que faço? Como volto e recomeço? Não quero aquelas frases feitas, aquelas frases de efeito, algo do gênero: "Ninguém pode fazer um novo começo mas pode fazer um novo fim". Não, não. Quero coisas práticas. Quero coisas diretas. Quero coisas verdadeiras. Onde compro isso?

O que quero

Demora-me muito tempo para formular idéias, para que eu saiba claramente qual é o meu objetivo. Bem, na verdade, nunca muito "claramente" qual é o meu objetivo, já que mudo de considerações e ponderações 3 vezes ao dia - pela manhã sou uma, a tarde, me redescubro e a noite me reinvento - então, vá saber... Bem, mas agorinha, justo agorinha, me veio o que quero - e acho que bate com tudo o que me traz essa sensação, esse mal estar, esse não estar no meu lugar. Quero uma casa. Minha, só minha. Que eu divida com alguém, mas que tenha a nítida sensação de que é minha. Que é o meu porto, onde fico quando não quero o mundo lá fora aqui dentro. O que tenho, não é meu. Por mais que o seja, não o é. Não o sinto mais. Parece que cresci demais, envelheci o suficiente e já esperei em demasia para dar o próximo passo. E isso me transforma em alguém absurdamente impaciente, que não se aguenta, que não se acha, que não se entende e não quer se esforçar para entender nada nem ninguém. No mom...
Eu tenho muitas coisas para por no lugar. Reorganizar alguns parágrafos. Rever certas estruturas. Ajustar alguns conectivos. Tenho que parar de ter medo, de postergar, de fingir que não me importo com o caos. Sei que é isso que deve ser feito. Sei que tenho que sair da estagnação partindo para a ação. Mas cadê o ânimo? Onde encontro o sentido? Finjo que não quero a piedade das pessoas. Finjo mal, muito mal. Porque não me convenço. Sei que queria que passassem a mão na minha cabeça, dissessem que sou uma boa menina, dissessem "ai, tadinha dela". Mas, sejamos francos, quem não quer isso? Quem não quer poder ficar o dia inteiro na cama, fingindo que não há nada além do edredom que nos cobre? Acho que essa sensação, por si só, não é nada demais. É coisa da gente mesmo. O problema é que estou tendo essa sensação todos os dias, o dia inteiro. Tudo que me cerca me parece um sonho, me sinto como que com a cabeça transformada em uma bolha de sabão, como se, de repente, eu pudesse sair...
Como é bom voltar a casa. Ver que somos os mesmos, independentemente do que os demais digam. Os mesmos defeitos, medos e receios. Mesmo que alguns achem que isso pode ser um problema, é isso que nos mantém nos eixo. Porque não há nada mais nosso do que as nossas imperfeições. Quando as aceitamos, nos aceitamos. E a partir disso é que podemos melhorar, crescer e sermos o que nos couber.
Hoje, eu não quero ver o sol vou prá noite, tudo vai rolar O meu coração é só um desejo de prazer Não quer flor, não quer saber de espinho Mas se você quiser tudo pode acontecer no caminho Mas se você quiser sou pedra, flor, espinho Automóveis piscam os seus faróis Sexo nas esquinas, violentas paixões Não me diga não, não me diga o que fazer Não me fale, não me fale de você (Fale de você, fale de você) Mas se você quiser, eu bebo o seu vinho Mas se você quiser sou pedra, flor e espinho Eu quero te ter Não me venha falar de medo Não me diga não Olhos negros, olhos negros Eu quero ver você Ser o seu maior brinquedo Te satisfazer Olhos negros, olhos negros Olhos que procuram em silêncio Ver nas coisas, cores irreais O seu instinto, é o meu desejo mais puro Esse seu ar obscuro Meu objeto de prazer Mas se você quiser, eu bebo o seu vinho Mas se você quiser sou pedra, flor, espinho Eu quero te ter Não me venha falar de medo Não de me diga não Olhos negros, olhos negros Eu quero ver você Ser ...
Cara, Estou em dívida com você, eu sei. Entendo porque por vezes me olhas ressabiada, como se eu fosse para ti, um pária, alguém que não merece perdão. Eu sei. E peço-te desculpas. Porque não mereces isso. Não depois de tudo que passamos, não depois de saber tudo o que sei, não depois de tantos caminhos tortos. Porém, peço que compreendas que por vezes é muito díficil vir até aqui, chegar a lugar tão remoto, ver que certas coisas são sempre as mesmas e que eu simplesmente sou o que tento não vê-las - porque, mesmo que não queira, acabo acreditando que o que está longe dos olhos não habita o coração. Eu sei disso também. Eu sei que isso é um ledo engano. Mas, Minha Caríssima, compreenda que defendo e assumo que o que não tem remédio, remediado está e, no momento, é o que nos resta. Que fiquemos em silêncio, que por vezes eu te encare porém não te fale. Porque me faltam as palavras apropriadas. Certo, considero certo que me digas que entre nós nunca houve algo como "palavras certas...
Eu sei que vou te amar Por toda a minha vida Eu vou te amar A cada despedida Eu vou te amar Desesperadamente Eu sei que vou te amar.. E cada verso meu será Prá te dizer Que eu sei que vou te amar Por toda a minha vida... Eu sei que vou chorar A cada ausência tua eu vou chorar Mas cada volta tua há de apagar O que essa tua ausência me causou... Eu sei que vou sofrer A eterna desventura de viver À espera de viver ao lado teu Por toda a minha vida... Eu sei que vou te amar Por toda a minha vida Eu vou te amar A cada despedida Eu vou te amar Desesperadamente Eu sei que vou te amar... E cada verso meu será Prá te dizer Que eu sei que vou te amar Por toda a minha vida... Eu sei que vou chorar A cada ausência tua eu vou chorar Mas cada volta tua há de apagar O que essa tua ausência me causou... Eu sei que vou sofrer A eterna desventura de viver À espera de viver ao lado teu Por toda a minha vida... ... dizem - eles dizem, eu não sei - que as coisas sempre se acertam, que as coisas sempre cheg...
Ninguém durma! ninguém durma! Tu também, ó princesa, na tua fria alcova olhas as Estrelas que tremulam de amor e de esperança! Mas o meu mistério está fechado comigo, O meu nome ninguém saberá! Não, não, sobre a tua boca o direi, Quando a luz resplandescer! E o meu beijo destruirá o silêncio que te faz minha! O seu nome ninguém saberá ... E nós deveremos, ai de nós, morrer! Morrer! Desvaneça, ó noite! Desapareçam, estrelas! Desapareçam, estrelas! Pela manhã vencerei! Vencerei! vencerei! nessun dorma Giácomo puccini E mesmo que permanecesse, mesmo que quieta ficasse, ela no fundo sabia. Porque sempre soubera a cena final, o momento temido, aquilo que não havia como evitar. Porque era o destino, a sina, o mistério, o desfecho. E ela ficava quieta, muito quieta e sem olhar. Porque queria que assim não o fosse. Porque queria poder esquecer e, simplesmente, recomeçar. Entretanto, sempre soubera - como tantas vezes tinha repetido a si mesma - que certas coisas não são evitáveis. Certas coisa...

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Me dá o tempo que preciso, O colo, o aconchego. Porque, no final das contas, O que me sobra é o medo, Das coisas não ditas, Dos precipícios evitados E toda essa história De só fazer o bem. Então, eu preciso de tempo Para assimilar tudo o que necessito Para saber realmente qual é o meu caminho E quais das coisas que deixei para trás Realmente me farão falta. Porque a vida não é simplesmente Um sim, Um não. Porque sempre há uma nuance, Um talvez. Algo que nos dá medo, Mas que pode ser divinamente prazeroso.
"Quanto mais ando, querendo pessoas, parece que entro mais no sozinho do vago..." - foi o que pensei na ocasião. De pensar assim me desvalendo. Eu tinha culpa de tudo, na minha vida, e não sabia como não ter. Apertou em mim aquela tristeza, da pior de todas, que é a sem razão de motivo; que, quando notei que estava com dor-de-cabeça, e achei que por certo a tristeza vinha era daquilo, isso até me serviu de bom consolo. E eu nem sabia mais o montante que queria, nem aonde eu extenso ia." Grande Sertão:Veredas
A praia deserta,  Os não-problemas dos 13, A adrenalina antes da queda no abismo,  Os 5 segundos antes do passo mal dado,  O início do sonho,  As noites bem dormidas, O não precisar de nada além de mim,  Os "eu te amo" verdadeiros,  A inocência adolescente,  O cheiro de chuva,  O medo no princípio. Não são muitas coisas que quero.  Apenas o que não posso mais ter. Não mais, nunca mais.
Nos acostumamos a tudo na vida. Algumas coisas passam a ter caráter anestésico. Simplesmente, deixamos de sentir, de ver, de pensar. E nos acostumamos a elas. As dores. As faltas. Aos excessos. Tudo passa a ser parte do que somos, do que queremos. Inclusive tudo aquilo que em algum momento -quando éramos jovens, rebeldes, inocentes - rejeitamos com todas as nossas forças. E nos acostumamos a essa invasão, a essa submissão, a não viver e simplesmente sobreviver.

(Im)provável

Você pensa que eu não sei Que certas coisas para você serão eternas E que por mais que tente Sempre estarão na sua memória   Você pensa que eu me importo Que eu tenha estado na chuva, Perdido as esperanças, Desejado a ilusão   Você pensa que eu não sei Que de noite você relembra, Se pergunta, Imagina , Até que ponto tudo poderia mudar E que na manhã seguinte se convence Que tudo sempre terá uma nova chance   Você pensa que eu me importo Que as coisas tenham sido assim Que nem tudo tenha seguido o rumo previsto E que eu tenha sofrido pelas mudanças   Mas o que você não sabe É que as cartas sempre foram minhas E, as escolhas eu as fiz. E agora o que ficou vira história Da qual nem me lembro mais.