... o pior da minha profissão? Ter que lidar com os imbecis de carteirinha. Bem, na verdade, isso é o pior da vida, né. Porque, fala sério, imbecis são uma raça que não corre mesmo o risco de extinção. Como se reprocriam rápido. Mas no trabalho, eu tô lá e tenho que fazer cara de paisagem, com infeliz achando "haha pô, tô sacaneando a professora" e eu só pensando "caralho, que vergonha alheia tenho de você e que pena tenho dos seus pais" . Mas, enfim. Vida que segue.
Então, vai-se mais um pouco. E tudo segue, é bem verdade. E cá estou eu, vivendo um dia de cada vez, mas repetindo os mesmos erros. Parece que é de propósito. Acho que é por causa dessa coisa de auto-destruição. Não sei e não quero pensar sobre isso agora.
Tenho uma vida bonitinha. Direitinha, não perfeitinha. Tenho o que quero ter e tenho plena consciência das minhas escolhas. Gosto do que faço - na medida do possível. Mas acho que quem diz que ama o que faz e que nunca tem problemas é absurdamente mentiroso. Porém... sempre me parece que falta algo. Não sei definir. Não sei de onde vem. Mas sempre falta. A sensação é que a plenitude está ali, pode ser quase tocada. Quase conquistada. Me parece que vivo nesse limiar do quase. E pensa que é fácil? Pois depois ainda se complica mais. Porque junta a essa sensação do QUASE as conjecturas do SE - o que é deveras pior, visto que se o QUASE, quem sabe, um dia se supera, o SE traz consigo a certeza de que o passado nunca poderá ser alterado. E pronto. Mais insatisfação toma conta de mim e eu quero suplantá-la das formas mais terríveis possíveis. E é aí que o barraco desaba. Porque nunca se tem a perfeição e eu sei disso. Mas ao fazer tudo ao contrário...
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